E com o Jogador é Justo?

Este mês ficamos  acompanhando o assunto: ACIGAMES, Jogo Justo e cobrança de impostos. Alguém pode perguntar, e o que eu tenho com isso?

Sim, você que é jogador e principalmente consumidor tem haver com a polêmica e vamos dizer porquê.

JOGO JUSTO

ACIGAMES (Associação Cultural, Industrial e Cultural de Games), que tem a frente o presidente Moacyr Alves Jr. ficou muito conhecida ao lançar o projeto “Jogo Justo”, que tem como objetivo diminuir os impostos atrelados a comercialização de jogos eletrônicos no país. Os encargos acrescidos chegam a ser mais do que 70% do valor do produto e nós que pagamos por isso, em média temos os seguintes impostos:

  • Imposto de Importação: 20%
  • Imposto sobre Produtos Industrializados: 30%
  • PIS/Cofins: 9,25%
  • Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços: 18 – 25%

Leia mais em: http://www.tecmundo.com.br/3751-como-funciona-a-tributacao-sobre-os-jogos-eletronicos-.htm#ixzz1uOQhsJQc

Em virtude dos altos valores e a forma absurda que estamos a consumir produtos eletrônicos no Brasil a ACIGAMES lançou junto a campanha “Jogo Justo” em datas específicas, onde juntamente com algumas empresas participantes o consumidor poderia adquirir seus jogos a um preço mais baixo, retirando parte dos encargos, uma forma de mostrar que o mercado não sofre tanto, pelo contrário, aumenta de acordo com o poder de compra das pessoas, prova tanta que no primeiro dia de evento o site da Wallmart, saiu do ar por conta da grande demanda de acesso dos internautas. O sucesso foi tamanho que houve um segundo evento com a participação de mais empresas e ainda deixando uma possível data para outra ação futura.

Até teve pessoas que tentaram pegar o embalo do negócio como o Felipe Neto e sua incrível façanha do “Manifesto Preço Justo”, quem acreditaria que isso daria alguma coisa até hoje espera o resultado, nem ele e nem o site que foi indicado dá notícia por sinal. Se por acaso não sabem do estou falando podem conferir o vídeo, que era o que ele queria mesmo, aumentar sua fama. Depois tente entrar no site indicado, se cadastrar e deitar numa rede pra esperar, eu fiz o teste, me cadastrei e tudo, só pra ter a afirmação do que digo agora. Aliás, quero agradecer ao Felipe, tenho certeza que a presidenta teve aquela conversa contigo e você falou da mesma forma do vídeo com ela, até fico imaginando as desculpas que recebeu e a resposta de que tudo estaria resolvido só por sua causa, afinal você ficou encarregado de levar o abaixo assinado né! Muito Obrigado, o que seria de nós sem você!!!!

Marmotas a parte o resultado do evento “Jogo Justo” foi um sucesso de vendas e principalmente participação do público, mesmo muitos achando se tratar de um dia promocional ou coisa do gênero, só que não tinha nada a a ver, a proposta era outra, de mostrar que o mercado poderia existir  de uma forma justa e com preço certo.

Estava tudo indo bem, a ideia da proposta foi passada, tanto as empresas como as pessoas estavam aderindo a causa, inclusive nós, do Aperta Start estávamos ajudando na divulgação, mas com a declaração feita pelo próprio presidente da ACIGAMES sobre taxar a comercialização eletrônica ai ficamos sem entender mais. Como assim? A associação que lutava pela redução de impostos no Brasil agora quer fazer o contrário?

Foi isso mesmo que aconteceu numa entrevista feita no programa Checkpoint, onde ele declara o interesse em taxar a Steam, empresa de comercialização de jogos eletrônicos de forma online, bem parecida com mercado livre só que é mais focada a games.

No vídeo você pode conferir:

Se você pular para a parte mais interessante da conversa, que é aproximadamente uns 14min, irá conferir. E as declarações não ficaram só ai, depois dessa conversa algumas pessoas acompanharam pelo Twitter o resultado disso e vejam o que rolou numa conversa sobre o assunto:

Acompanhem as setas vermelhas

Acompanhando a conversa você pode perceber o interesse dele em dificultar a comercialização online. Agora, nada mais justo do que deixar a ampla defesa para Moacyr Alvez, que assim foi feito. Em uma carta aberta a ACIGAMES declara o seguinte:

” CARTA ABERTA A IMPRENSA, ASSOCIADOS E CONSUMIDORES

SÃO PAULO, 25 DE ABRIL DE 2012.

A ACIGAMES (Associação Comercial, Industrial e Cultural de Games), na figura do seu presidente Moacyr Alves Junior vem manifestar-se publicamente a respeito da polêmica criada sobre sua participação no programa Checkpoint no dia 29 de março de 2012 e também a entrevista concedida a edição de número 33 da Revista Arkade do mesmo mês.

A associação e nenhum de seus membros, associados e parceiros, incluindo o presidente, possui a intenção ou sequer poderes para impor e/ou defender novas taxas ou alíquotas sobre qualquer tipo de produto ou serviço relacionado ao mercado de games nacional perante ao Governo Federal, podendo apenas agir como conselheira, através de estudos, sempre em benefício do nosso mercado e consumidores.

Em nenhum momento durante a entrevista, ficou explícita a intenção ou necessidade de que fosse aplicadas tributações ou penalidades a empresa citada ou ao modelo de negócio, mas sim criar formas de regulamentar a maneira como as mídias digitais são classificadas e distribuídas no Brasil por empresas estrangeiras, afim de criar uma competição saudável promovendo oportunidades para todos, inclusive para a entrada oficial destas empresas em nosso mercado, de acordo o objetivo inicial da criação da ACIGAMES, que é promover a legalidade, classificação, distribuição e desenvolvimento, tendo em vista o crescimento e profissionalização do mercado nacional.

Ressaltamos ainda que todas as ações e projetos da ACIGAMES em prol do mercado brasileiro seguem moldes e exemplos de outras associações que lutam pelo mercado em qual atuam, valorizando seus associados, parceiros e principalmente consumidores.

Mais uma vez reforçamos que a ACIGAMES não tem poder e intenções políticas. Apenas interesse em mostrar ao governo as oportunidades e benefícios que este mercado pode oferecer, sempre vislumbrando o crescimento do mercado, a geração de empregos e a visibilidade dos talentos brasileiros.

A ACIGAMES em nenhum momento foi procurada por estes veículos que tentam difamar o nome da associação e suas ações, para pedir explicações ou mesmo conceder o direito de resposta, impondo suas próprias opiniões, que não refletem a atual realidade.

Moacyr Avelino Alves Junior

Presidente “

Esta carta não explica muita coisa, é apenas uma cópia e pode ser conferida no site oficial, aqui

Após todo o ocorrido saíram algum vídeos interessantes que gostaria compartilhar com vocês fazendo uma explicação e deixando sua opinião, segue:


Conclusão:

Todos nós queremos ter os seus direitos garantidos, de uma forma justa e honesta. O mercado existe de uma forma ou de outra, online ou não. Sem importar se você compra seus jogos aqui, no Japão, na Lua ou em Marte, o interessante seria ter a possibilidade e vantagens de se consumir sem as altas taxas existentes. O consumidor de uma forma geral não procura meios ilícitos para adquirir produtos, ele tenta comprar e consumir da melhor forma possível, claro que maais barato ou ao preço correto, digamos “Justo” como a campanha lançada pela ACIGAMES. O nome da campanha era até sugestivo, “JOGO JUSTO”, mas depois dessas declarações eu pergunto, com o Jogador é justo?

Eu mesmo já apoiei a ideia inicial, mas fico triste em saber dos interesses por trás de tudo isso e retiro minha participação, até tentamos firmar uma parceria com a ACIGAMES, que não rolou da forma que combinamos. Reclamar  ou apontar os erros não é a alternativa final e sim participar ou mobilizar para ações sérias que possam realmente mudar essa situação, isso já cabe a todos nós.

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Bruno Saraiva

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Bruno Saraiva é game designer, ativista gamer, com graduação em Mecatrônica pelo IFCE (Instituto Federal de Ciência Educação e Tecnologia do Estado do Ceará), professor de Design de Games, Cultura Gamer e Jogos de Tabuleiro em diversas instituições de ensino. Esta no curso de Especialização em Animação e Jogos Eletrônicos e agora faz parte do colegiado do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC) na cadeira de Arte e Cultura Digital, além do Fórum de Cultura de Digital, Grupo Ideias em Jogo e Jogafortal Um dos diretores do site Aperta Start.


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